O Desafio da Contenção Verbal

escuta.ativa
Ana Bela Cabral

Ana Bela Cabral

 

“Há que perdoar porque não sabem o que dizem”

(Adaptação de uma conhecida passagem do Livro de Lucas, Novo Testamento)

 

Uma das ferramentas de desenvolvimento pessoal que mais apreciamos na Eleva é o Balanço Pessoal de Competências. De um modo simplificado, trata-se de uma autoavaliação seguida da identificação das competências que cada um de nós precisa de apurar. Se é verdade que na palavra “competência” cabe muita coisa, não subsiste qualquer dúvida sobre a importância das ditas soft skills, sobretudo, as que estão associadas à Comunicação.

Numa era de sobrecomunicação na qual acedemos facilmente a todo o tipo de conteúdos e nos é dada a possibilidade de opinar sem filtros, começa a impor-se o desenvolvimento de uma nova “competência”: a Contenção Verbal. Permito-me deixar 3 estratégias para o desenvolvimento da mesma.

 

  1. Escutar. Como diz o nosso José Tolentino de Mendonça, a escuta é um exercício de resistência. É-o, sem sombra de dúvida. Sobretudo a que se quer ativa, a que não serve apenas para responder, a que não utiliza apenas os ouvidos. Escutar, não para fazer valer o nosso ponto de vista. Escutar, para acrescentar valor de seguida e para responder mais vezes, ao jeito de Eckart Tolle, “talvez” (de certezas está o mundo cheio…).
  2. Apreciar o silêncio. Recentemente, num retiro no qual participei, fizemos um exercício de silêncio durante 2 horas. Impressionante! A despoluição sonora faz tão bem à alma! E é surpreendente o que se diz no silêncio. Como tão bem o exprimiu Clarice Lispector (ninguém melhor do que ela): “Ouve-me, ouve o meu silêncio. O que falo nunca é o que falo e sim outra coisa”.
  3. Relativizar. A mais difícil das 3 estratégias… Ficar imune ao que o outro diz, não reagir na mesma proporção (ou não reagir de todo). Pode ser uma consequência das duas estratégias anteriores ou também pode resultar de um simples exercício de espelhamento, perguntando “Eu diria isso? Dessa forma? O que acrescento se responder/reagir?”.

 

É mais fácil dizer/escrever do que fazer, é certo. Mas… e se começássemos pela primeira estratégia? É para isso que – como se diz – temos dois ouvidos e apenas uma boca!

Se te interessas à temática das soft skills, fica atento/a ao calendário de formações e aos destaques de oficina da Eleva!

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